Ereção: Tratando a Disfunção Erétil (Parte 3/4)

Ereção: Tratando a Disfunção Erétil (Parte 3/4)

Nesta série esse certamente é o texto mais aguardado. Contudo devemos informar que ele não trataremos aqui de nenhuma fórmula mágica por boas ereções. Também não indicaremos novas medicações milagrosas. Como quase tudo na vida, para se obter resultado temos que nos esforçar. Discorrerei sobre o que é importante e que tem respaldo científico para tratar a impotência sexual.

É importante envolvimento da parceira(o) no tratamento da disfunção erétil?

Certamente. A parceira ou parceiro, muitas vezes, passa a se responsabilizar pela falta de ereção. Então ela(e) perde a autoestima, por imaginar que o paciente já não se sente mais atraído. Outras vezes, desconfia de que ele mantém outro relacionamento e, por isso, não consegue satisfazê-la(o) como antes. Inegavelmente, algumas(uns) passam a investigar a vida dos pacientes, inconformadas(os) porque eles evitam o sexo.

Diversas pesquisas apontam que, diante da falha de ereção do homem, a(o) parceira(o) tem papel diferencial. Assim, aquela(e) que admite que ele pode estar vivenciando um problema de saúde e o incentiva a buscar tratamento torna-se uma(um) aliada(o). Contudo, aquela(e) que minimiza, se indispõe ou fica indiferente, contribui para a manutenção ou o agravamento da disfunção erétil.

tratamento da disfunção erétil

Tratamento Não medicamentoso

Mudança de Estido de Vida

É interessante pensar que o início do tratamento seja a mudança no estilo de vida e o controle dos fatores de risco. Assim sendo, iniciar atividade física regular, abandonar tabagismo e outras drogas e reeducação alimentar são centrais. Com toda certeza, controlar as doenças existentes e trocar medicações que por acaso contribuam para a impotência sexual também é interessante.

Entretanto, quantas vezes você já ouviu falar nisso? De fato é necessária uma mudança de hábitos, assim como assumir as consequências do que optamos por fazer hoje. A seleção de uma boa alimentação e o desenvolvimento de hábitos saudáveis é, decerto, uma responsabilidade pessoal. Em síntese, dar prioridade a diminuir o açúcar refinado, farinhas brancas, gorduras de carnes gordas, manteiga, leites gordos, e as gorduras trans pode ser um primeiro passo. Ao mesmo tempo, parar o uso de tabaco e iniciar atividades físicas surpreendentemente irá ajudar.

estilo de vida

Terapia Sexual

Em virtude de o fator psicogênico ser importante, e em maior ou menor grau, estar presente em praticamente todos os pacientes, mas, sobretudo nos jovens, ressalto a importância de se realizar terapia sexual. Ela, muitas vezes, é o único tratamento necessário e outras vezes pode ser uma aliada junto a medicações.

São objetivos, a saber, da terapia sexual para disfunção erétil:

  • Identificar e trabalhar as resistências à intervenção médica que resulta em abandono do tratamento;
  • Reduzir a ansiedade de desempenho;
  • Entender o contexto em que o paciente faz sexo;
  • Promover psicoeducação e adequação do “roteiro sexual” do paciente.
tratamento da disfunção erétil

A eficácia da terapia depende de focar no prazer, reduzir a ansiedade, diminuir a ênfase no ato sexual e promover consciência das sensações sexuais. Podem otimizar os resultados: vínculo terapêutico e motivação/suporte da(o) parceira(o), estabelecimento de metas para o paciente e sua(seu) parceira(o). O foco da terapia sexual não deve ser só a melhora do desempenho, mas conforto sexual e prazer.

E os jovens, por que tem disfunção erétil?

Antes de seguir nas linhas gerais do tratamento, é importante falar especificamente dos jovens. Neles, boa parte dos fatores de risco discutidos estão ausentes. Em contraste, insegurança, medo de falhar e autoimagem negativa podem ser vistas como causas significativas. O problema pode também advir de algum conflito relacionado à orientação ou à identidade sexual. Nessas circunstâncias, o jovem libera altas concentrações de adrenalina na circulação, o que prejudica o enchimento dos corpos cavernosos do pênis, e assim apresenta dificuldade de ereção. Uma vez deflagrada a disfunção, a continuação e o agravamento dependem de fatores emocionais: autoestima abalada aumenta a fragilidade e a falta de confiança na recuperação e no desempenho.

Inegavelmente, o estes são os pontos mais importantes do tratamento. Contudo proceder com tais as mudanças é tarefa árdua e muitos pacientes não se empenham o suficiente em fazê-lo. Mudar o estilo de vida é realmente difícil. Com isso, para cuidar de males existentes, é preciso aceitar a necessidade do tratamento psicológico. Encarar e vencer tais obstáculos é um desafio para todos nós.

Post publicado originalmente no blog do Dr. Tiago Aguiar